sábado, 27 de março de 2010

Magreza ou beleza? - Aparência ou grandeza?

Hoje venho falar de um preconceito que me incomoda muito. Na verdade, todos me incomodam, mas esse sobre o qual falarei hoje é particularmente cruel e estraga a vida de muitas garotas hoje: o preconceito com o peso.
Fico impressionada com o efeito que o "excesso" de peso causa em muitas meninas, como se o fato de elas estarem fora de um padrão que eu desconheço QUEM estabeleceu desmerecesse toda e qualquer qualidade dela. Fico espantada e até irritada quando as pessoas comentam coisas como "Fulana é tão bonita de rosto, se fizesse um regime seria linda..." OK, não sou hipócrita: sou magra, amo ser magra e NÃO quero deixar de ser magra. Se eu tenho, claramente, esse direito, essa opção, por que uma menina que é acima do peso não pode, também, se aceitar, se gostar e ser respeitada como ela é? Só porque alguém inventou que beleza = magreza e que qualquer coisa diferente disso é digna da lata do lixo? Acho que não...
Nesse ponto, caio em outro assunto e outro preconceito, principalmente entre adolescentes: o preconceito que as pessoas feias sofrem.
Não vou mentir: todos nós, em algum momento da vida, somos um pouco (ou muito) superficiais; isso é normal e até aceitável, mas não podemos ser assim sempre. Tal como os pokemons, temos de evoluir um dia (eu assistia pokemom, OK).
Quando eu era criança, estudava em uma escola onde todas as meninas eram muito arrumadas e usavam a mesma marca de mochila, caderno e lápis de cor. Eram adoradas pelos professores, respeitadas pelos meninos e paparicadas pelos tios da cantina. Eu era apenas uma criança, não tinha noção de moda e nunca tive jeito com coisas de mulherzinha. Usava um óculos fundo de garrafa, cabelo preso no auto e roupas confortáveis. E meu sonho era ser uma delas, confesso. Mas confesso também que jamais fui uma delas, e agradeço por isso. Sobraram para mim os apelidos, as implacáveis implicâncias por pura maldade de futilidade e a solidão. Mas enquanto elas aprendiam, umas com as outras, a fazer maquiagem, fofoca da vida alheia e a excluir o diferente por ignorância, eu aprendi sozinha a cuidar de plantas, ler e principalmente a pensar por mim.
Hoje, muitos e muitos anos depois, não sei como elas estão. Provavelmente a vida lhes ensinou algo. E eu, sem dúvidas, estou muito diferente. Exceto pelo fato de ainda gostar de plantas, amar ficar sozinha, ter paixão por leitura e continuar pensando por mim. Se sou bonita, não sei, é bem relativo, mas isso se tornou irrelevante quando descobri que posso ser amada e respeitada mesmo quando as pessoas não gostam do meu cabelo ou do meu nariz. Por isso, amigos, esse é para vocês, que me ensinaram e me ensinam isso.
E você que tem o nariz torto, o cabelo ruim ou está acima do peso e sofre preconceito por isso, entenda: você é mais, é muito mais do que isso. Você é linda, mesmo que um bando de cegos não enxerguem isso. Um dia, eles sempre enxergam, mas normalmente é tarde demais.

Em especial para Vini, que me ensinou essa lição hoje, e me inspirou para essa postagem. s2

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