quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Motivo, retorno e desordem

" Não estou fazendo nada de errado, só estou tentando deixar as coisas um pouco mais bonitas. "


É assim que tenho me sentido, e é sobre essas coisas que venho falar, nesse tão agradável retorno, depois de muitos meses.
Eu tenho observado tristemente que o sentimento de culpa ainda move muito as pessoas. Conheço muitas que, não satisfeitas com a culpa que sentem pelo que fazem (e que, algumas vezes, não oferece mal algum a ninguém), precisam se culpar também pelo que pensam, pelo que sentem, pelas vontades mais íntimas... Ah, dramalhão!
E, como eu não gosto de falar somente das pessoas, eu me exponho de exemplo. Sempre fui chata com sentimento de culpa. Com medo de decepcionar quem eu gosto. Com medo de não conseguir corresponder às expectativas, minhas e principalmente de outros. Eu sofri alguns anos com isso, e estava sofrendo particularmente nos últimos meses até que, há alguns dias atrás, depois de assimilar algumas coisas que vinha ouvindo, vendo e pensando, resolvi me libertar disso. Não sou, jamais serei e receio que não queira mesmo ser o que esperam de mim, seja quem for.
Todos os dias eu faço, falo, penso e principalmente sinto milhares de coisas que decepcionariam qualquer um, por mais esforço que eu fizesse. Receio dizer que às vezes decepcionam até a mim mesma, e olha que eu já deveria estar acostumada. Eu guardo, obviamente, a maior parte dessas coisas pra mim. Algumas delas não são nem um pouco incomuns, posso dizer que são até previsíveis vindo de mim, mas o motivo pelo qual não costumo dividi-las é o que vem depois. As pessoas sempre perguntam o motivo. Acho que não preciso dizer que nunca sei. Isso, antes, era motivo de crise existencial mas hoje vejo que isso faz parte de mim, eu sou assim e não vou, não posso e, mais importante, não quero mudar. Se não sou livre para fazer todas as loucuras que penso, deixem ao menos que eu pense, e NÃO me venham falar de motivos.
Estou escrevendo sobre isso porque hoje, durante determinada aula, uma amiga comentou algo que me deixou o dia inteiro pensando... pensando... Foi bem verdade o que ela disse, mas receio não poder admiti-lo para ela abertamente nesse espaço. Depois de passar o dia inteiro devaneando sobre os motivos mais loucos para determinados pensamentos e sentimentos, eu resolvi que não preciso mais disso. Quem se importa com motivos, com expectativas, com regras? Falo por mim, a única coisa que tem me interessado, ultimamente, é a minha plena felicidade. Sei que para alcançá-la talvez tenha que, todos os dias, tomar ao menos uma decisão que vá, de alguma forma, decepcionar alguém que eu verdadeiramente amo, mas eu decidi que daqui para frente a minha principal preocupação será comigo.
E convido qualquer um regido por culpa a pensar só um pouquinho e a se libertar disso, antes que vire um manequim da vontade alheia.

sábado, 27 de março de 2010

Magreza ou beleza? - Aparência ou grandeza?

Hoje venho falar de um preconceito que me incomoda muito. Na verdade, todos me incomodam, mas esse sobre o qual falarei hoje é particularmente cruel e estraga a vida de muitas garotas hoje: o preconceito com o peso.
Fico impressionada com o efeito que o "excesso" de peso causa em muitas meninas, como se o fato de elas estarem fora de um padrão que eu desconheço QUEM estabeleceu desmerecesse toda e qualquer qualidade dela. Fico espantada e até irritada quando as pessoas comentam coisas como "Fulana é tão bonita de rosto, se fizesse um regime seria linda..." OK, não sou hipócrita: sou magra, amo ser magra e NÃO quero deixar de ser magra. Se eu tenho, claramente, esse direito, essa opção, por que uma menina que é acima do peso não pode, também, se aceitar, se gostar e ser respeitada como ela é? Só porque alguém inventou que beleza = magreza e que qualquer coisa diferente disso é digna da lata do lixo? Acho que não...
Nesse ponto, caio em outro assunto e outro preconceito, principalmente entre adolescentes: o preconceito que as pessoas feias sofrem.
Não vou mentir: todos nós, em algum momento da vida, somos um pouco (ou muito) superficiais; isso é normal e até aceitável, mas não podemos ser assim sempre. Tal como os pokemons, temos de evoluir um dia (eu assistia pokemom, OK).
Quando eu era criança, estudava em uma escola onde todas as meninas eram muito arrumadas e usavam a mesma marca de mochila, caderno e lápis de cor. Eram adoradas pelos professores, respeitadas pelos meninos e paparicadas pelos tios da cantina. Eu era apenas uma criança, não tinha noção de moda e nunca tive jeito com coisas de mulherzinha. Usava um óculos fundo de garrafa, cabelo preso no auto e roupas confortáveis. E meu sonho era ser uma delas, confesso. Mas confesso também que jamais fui uma delas, e agradeço por isso. Sobraram para mim os apelidos, as implacáveis implicâncias por pura maldade de futilidade e a solidão. Mas enquanto elas aprendiam, umas com as outras, a fazer maquiagem, fofoca da vida alheia e a excluir o diferente por ignorância, eu aprendi sozinha a cuidar de plantas, ler e principalmente a pensar por mim.
Hoje, muitos e muitos anos depois, não sei como elas estão. Provavelmente a vida lhes ensinou algo. E eu, sem dúvidas, estou muito diferente. Exceto pelo fato de ainda gostar de plantas, amar ficar sozinha, ter paixão por leitura e continuar pensando por mim. Se sou bonita, não sei, é bem relativo, mas isso se tornou irrelevante quando descobri que posso ser amada e respeitada mesmo quando as pessoas não gostam do meu cabelo ou do meu nariz. Por isso, amigos, esse é para vocês, que me ensinaram e me ensinam isso.
E você que tem o nariz torto, o cabelo ruim ou está acima do peso e sofre preconceito por isso, entenda: você é mais, é muito mais do que isso. Você é linda, mesmo que um bando de cegos não enxerguem isso. Um dia, eles sempre enxergam, mas normalmente é tarde demais.

Em especial para Vini, que me ensinou essa lição hoje, e me inspirou para essa postagem. s2

quarta-feira, 17 de março de 2010

Deixando rolar

Como esse é o meu primeiro post, resolvi escrever sobre um dos meus maiores problemas: a obsessão por querer controlar tudo, sempre. Essa minha mania de querer ter tudo na mão é fruto de características minhas, como a ansiedade, a impaciência e o perfeccionismo. E não me contento em simplesmente dar tempo ao tempo, aliás, creio que essa expressão é a que mais me causa pânico. Como assim dar tempo ao tempo? Como assim simplesmente deixar rolar? Como? Eu vivo tentando descobrir.= O fato é que, às vezes, não temos mesmo mais nada a fazer. Nessas ocasiões, só nos resta dar tempo ao tempo, contra a vontade, e passar os dias morrendo por dentro. Não sei vocês, mas eu detesto mais do que tudo esperar. Prefiro agir, agir e agir a esperar. Eu sempre corro atrás do que eu quero, seja como for, dificilmente eu vou sentar e esperar a providência divina. Então, por tudo isso, eu tenho a maior dificuldade do mundo quando o assunto é esperar. Quando eu tenho algo a dizer e preciso me calar. Quando eu quero muito uma coisa e perco o direito de lutar por aquilo. Quando eu vejo que a minha vontade e o meu esforço não bastam. Quando palavras como aceitar, seguir a vida, esquecer e outras aparecem, assim, como se fosse realmente fácil. NÃO é, tenham certeza.Na verdade, analisando isso descobri uma coisa que me incomodou totalmente: sou autoritária. Não sei bem se é essa a palavra, na verdade a palavra é controladora, mas eu queria usar outra. E logo eu, que detesto pessoas muito controladoras, elas me irritam, mesmo. Essas descobertas sobre mim mesma me deixam totalmente louca, confusa e insatisfeita. Primeiro, porque não vejo o mínimo sentido em ter um aspecto que não acho favorável nos outros. Depois, porque tenho certeza de que a minha vida seria bem mais simples se eu fosse como algumas amigas minhas, que simplesmente NÃO ligam para nada e deixam rolar, entregam ao tempo e vivem a vida. E, principalmente, porque por mais que tente mudar, ser assim como elas, não consigo. O máximo que consigo é fingir, disfarçar e, mesmo assim, muito mal, pois sou bem transparente na maioria das vezes. Então, pela primeira vez na vida abri mão do agir e aderi ao aceitar. SOU controladora, SIM, e pronto. E deixa rolar. ;D